Laser melhora condição de pacientes com neuropatia diabética

Pesquisa revelou que o uso da técnica promove um tratamento dos nervos periféricos dos pés e das mãos

Foto: Reprodução

Após uma série de resultados positivos, um estudo feito pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP concluiu que o uso de laser de baixa intensidade é um tratamento seguro e eficaz para a neuropatia diabética, uma doença, até então, sem tratamento específico. A partir do mês de maio, a terapia será aplicada em pacientes do Hospital Universitário, após resultados muito otimistas com a aplicação em modelo animal.

A neuropatia diabética é uma doença causada pelo próprio diabetes, quando este progride muito no paciente. A doença atinge os nervos periféricos, principalmente na região das mãos e dos pés. Nos estágios mais avançados, ela causa uma perda desses nervos, o que, por sua vez, traz perda de sensibilidade e muita dor. Como ainda não há uma cura, nem um tratamento específico, quando um paciente tem neuropatia diabética, recomenda-se atualmente um controle rígido da glicemia, para que assim o diabetes seja controlado e, consequentemente, a neuropatia não se desenvolva ainda mais.

Agora, com a aplicação da laserterapia, há uma evidente melhora nas condições nervosas. A Profª Camila Squarzoni Dale, responsável pelo Laboratório de Neuromodulação da dor, e quem lidera a pesquisa, explicou como todo o processo funciona. “O tratamento com a fotobiomodulação regenera os nervos, então melhora a condição dos nervos periféricos dos animais diabéticos por melhorar a célula nervosa” – afirma a professora. “A gente não sabe se ele bloqueia o avanço da doença, ou se induz a um processo de cicatrização – é o que a gente está estudando agora. Mas o nervo do animal fica melhor, o aparato bioquímico da célula melhora”.

A utilização do laser seguirá um protocolo de doze aplicações nos pés, pois são os membros inferiores os mais propícios a desenvolver a doença inicialmente. A princípio, essas sessões se estenderão por um período de três vezes na semana e o tratamento será aplicado na ala de feridas do HU. O hospital recebe vários pacientes com feridas, e dentre eles, muitos são diabéticos. O que ocorrerá é uma translação do que foi feito em bancada, para os pacientes humanos nos leitos do hospital, para uma confirmação dos resultados.

Além de melhorar a qualidade de vida do paciente, de acordo com Camila, os riscos da laserterapia ao paciente são muito pequenos. Isso se deve ao fato de que o seu uso não provoca queimaduras, não esquenta a pele, e também não tem contraindicações. Um outro ponto positivo de sua utilização é que o equipamento é acessível. Suas perspectivas futuras são de que em breve o tratamento poderá ser feito de forma autônoma e doméstica: “É um equipamento que não custa caro e que é feito no Brasil. Eu acredito que futuramente a pessoa vai poder ter o equipamento em casa. Aprender a fazer no consultório, e depois fazer ela mesma, para melhorar sua qualidade de vida”.

A professora ressaltou ainda que a intenção do grupo de pesquisa é mostrar para a comunidade científica que esse tratamento é válido e não deve mais ser utilizado apenas como uma alternativa secundária. “A gente quer mostrar que o negócio realmente funciona e que deve ser encarado como uma terapia eletiva, um método de primeira escolha para tratar um paciente que tem diabetes avançado. Então o paciente deve fazer, porque é uma coisa que vai melhorar a condição dele, e as pessoas que tratam esses pacientes devem efetivamente passar a aplicá-lo”.

A terapia com lasers de baixa intensidade já é utilizada pela medicina como tratamento em diversas áreas, como para cicatrização, ou úlceras diabéticas. No entanto, ainda pouco se sabe sobre como ele funciona, e o que é necessário para fazer com que isso funcione. É isso que motiva o grupo a pesquisar ainda mais nessa área que consideram promissora, principalmente após a descoberta com a neuropatia diabética não mais como um tratamento complementar. Sobre a laserterapia como um todo e seu uso na doença, a professora Camila conclui: “Tem gente que acha que não funciona, que é só uma luzinha, que não vai mudar a qualidade de vida dessa pessoa. Mas o que a gente vê é que vai melhorar, e que tem que fazer!”.

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