Terapia com luz ajuda no tratamento de dores neuropáticas

O método, chamado fotobiomodulação, mostrou eficácia em testes com camundongos

Foto: HowStufWorks

A neuropatia periférica é uma condição que afeta os nervos periféricos, em especial as pernas, causando problemas como dificuldade de locomoção e muita dor. Essa modalidade de dor não responde muito bem a tratamentos convencionais, como uso de medicamentos e até cirurgia. Assim, Marucia Chacur, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, desenvolveu um estudo sobre o uso de fotobiomodulação para o tratamento de dores neuropáticas. 

O laboratório em que trabalha busca entender os diferentes aspectos da dor, de maneira geral, além de procurar tratamentos alternativas para os diferentes tipos dessa condição. “A terapia com fotobioestimulação ou fotobiomodulação tem se mostrado eficiente na melhora da dor tanto em animais como em humanos”, explica Marucia.

Neste estudo, o objetivo foi avaliar os efeitos da aplicação do laser de baixa intensidade sobre o nervo isquiático com neuropatia periférica. Durante aproximadamente dois meses, camundongos foram submetidos a sessões de terapia realizadas duas vezes na semana. Ao todo, foram 10 sessões. O aparelho foi aplicado no local que seria tratado ou perto da região afetada. Ao final do tratamento, os animais foram eutanasiados, e tecidos como o nervo isquiático e gânglios das raízes posteriores foram coletados para análise. 

A pesquisadora explica que cada tipo de dor tem um parâmetro próprio. Dores diferentes requerem que o aparelho seja regulado com comprimentos de onda e energias diferentes. “Por este motivo, nosso trabalho se diferencia, porque tentamos padronizar e determinar a energia específica para cada tipo de dor”, comenta. 

Os resultados obtidos apontaram para a efetividade da fotobiomodulação. Os efeitos analgésicos gerados pelo procedimento podem estar relacionados à modulação de mediadores inflamatórios. O princípio do processo baseia-se na interação de fótons (partículas de luz) com a pele. A luz age na mitocôndria e, a partir de então, estimula diversos mecanismos, fazendo com que o metabolismo celular e os níveis de energia se alterem, o que leva à liberação de fatores que fazem as substâncias inflamatórias diminuírem. Como consequência, há redução da dor. 

Marucia fala sobre a importância das alternativas terapêuticas para o tratamento da dor. Considerando que a neuropatia periférica não responde satisfatoriamente a nenhum tipo de intervenção convencional, a fotobiomodulação tem grande potencial para atuar como um adjuvante, ou seja, em conjunto com outros métodos já existentes. “O uso combinado da terapia com os tratamentos convencionais pode diminuir significativamente o uso de medicamentos, que quase sempre causam efeitos adversos nos pacientes”, comenta. É uma técnica não invasiva, com aplicação indolor e sem efeitos colaterais.  

1 Comentário

  1. Olá! Meu pai é diabético há 30 anos. Sofre muito com a neuropatia diabética. Já realizou tratamento medicamentoso com antidepressivos e anticonvulsivante. Recentemente implantou um neuroestimulador medular para controle da dor. Apesar de tudo isso seu sofrimento diante da dor crônica tem se agravado. As esperanças estão se esgotando e a dor aumentando. Por isso gostaria de saber como poderíamos ter acesso a um tratamento como esse. Seria mais uma esperança diante de tanto sofrimento que ele tem enfrentado. Obrigada

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