Vitamina B e laser ajudam no tratamento de dores faciais crônicas

Imagem: Casipit Dental Group

Na busca por terapias sem efeitos colaterais, uma recente pesquisa de pós-doutorado, ainda vigente no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, obteve alguns resultados positivos quanto ao tratamento de dores faciais. Os benefícios de compostos do complexo B e da luz laser se refletem na proteção de um nervo presente no rosto (nervo trigêmeo), cuja lesão gera uma condição de dor crônica na face – a neuralgia trigeminal (NT).

A dor é causada por um dano no nervo, como por exemplo ao ser feita uma extração de um siso inferior, conta o pesquisador Daniel Martins. Além disso, o que dispara essa dor são situações cotidianas como fazer a barba, se maquiar, escovar os dentes; o que acaba por torná-la corriqueira.

O nervo é assim chamado por possuir três ramos: o oftálmico, o maxilar e o mandibular (Imagem: DepositPhotos)

Como mencionado, o objetivo do laboratório, liderado pela professora Marucia Chacur, tem sido buscar tratamentos alternativos aos comuns, que não possuam efeitos colaterais. Ainda assim, o grupo não visa cessar de imediato o uso dos medicamentos convencionais. “O que fazemos com esse tipo de tratamento é, junto com o medicamento que se está tomando, diminuir a dor no local. Com o tempo, o indivíduo pode diminuir e, quem sabe, até mesmo cessar as doses que deve tomar”, explica a professora.

Como agem o laser e a vitamina

Basicamente, a ação da luz é resultado de uma interação dela com a mitocôndria. A partir de um comprimento de onda de 904nm, definido pelo laboratório por meio de diferentes testes experimentais, o laser atinge determinadas células e age sobre a mitocôndria, que reage aumentando o metabolismo celular e garantindo mais energia para a célula.

Ainda não se tem claro como isso se reflete diretamente na recomposição do nervo lesionado, mas o que se sabe é que esse dano está relacionado a um prejuízo na bainha de mielina – parte da célula que protege o axônio do nervo. E o uso dessa onda de luz contribui para a remielinização do nervo.

Comparação entre estruturas de nervos mielinizadas e não mielinizadas de um grupo controle (a e b), do grupo afetado após 20 dias de lesão (c e d) e do grupo afetado após tratamento com laser de baixa intensidade (Imagem: Artigo “Neuropeptide expression and morphometric differences in crushed alveolar inferior nerve of rats”/Laser Med Sci)

A vitamina B tem também um importante papel no tratamento do nervo, o que ainda está sendo estudado, mas já apresenta resultados positivos. Em uma linha mais analgésica, alguns trabalhos relacionam-na com o aumento dos níveis de serotonina na via inibitória de dor. Um paciente com dor crônica tem sua qualidade de vida afetada e isso pode influenciar o aspecto afetivo-emocional, inclusive podendo levar a um quadro depressivo.

Nesse sentido, explica Marucia, o suplemento de serotonina é encontrado em muitos antidepressivos, já que pessoas nessa condição apresentam baixos níveis da substância – e é ela quem contribui para a retomada do ânimo, e consequentemente um estímulo a tratamentos alternativos para aquela dor. Dessa forma, a suplementação de vitamina B pode contribuir de maneira menos farmacológica para esse tratamento.

Resultados da ação conjunta

Os testes foram feitos em ratos Wistar, e contaram com experimentos capazes de mensurar a dor sentida pelo animal antes e depois do tratamento, sempre em comparação com o grupo-controle (aquele não afetado).

Após a indução da lesão, observou-se o comportamento dos ratos dentro de um aparato capaz de avaliar a situação do aspecto térmico-mecânico. Atraído por um líquido, o animal foi direcionado até um sensor, que contém filamentos térmicos e táteis. “Se uma região está dolorida, é natural evitar apoiá-la, porque vai doer. Tentamos avaliar, então, por quanto tempo o animal aguentou ficar apoiado ou quantas tentativas ele fez para ir até lá; é uma forma de mensurar essa resposta dolorosa”, justifica a pesquisadora.

Os resultados mostraram que, com o laser especificamente, após duas ou três sessões o rato já manifestou uma melhora na dor. Isso é ainda mais intensificado em conjunto com a ação da vitamina B: “Como estamos buscando um tratamento sem efeito colateral, e às vezes até de menor custo que um tratamento convencional, a ideia é exatamente juntar a vitamina B com o laser e ver se há potencialização do tratamento”, esclarece Daniel. E, de fato, há. Quando o animal é submetido aos dois tratamentos de forma conjunta – o laser e a vitamina – há indícios de reversão do comportamento doloroso mais cedo. “Enquanto na aplicação do laser a melhora precisa de, no mínimo, duas sessões, a aplicação dos dois tem efeitos bons já em apenas uma sessão”.

 

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