UM APERITIVO DA FESTA

A Festa está chegando!

E você, já sabe um pouco do que vem por aí? São mais de 230 editoras neste ano pra você conhecer ou rever e, claro, milhares de títulos para escolher. A Festa é um momento de troca importante entre editoras e público, porque permite o contato direto entre ambos. Muitas vezes é possível conversar com o próprio editor, bater um papo sobre o perfil da editora, sobre aquele título que te chamou a atenção. Legal, né? Que tal ver destaque de algumas editoras?

Uma delas é a Dublinense, que se dedica a literatura contemporânea, humanidades e artes. Ela traz “O Alegre Canto da Perdiz”, da escritora moçambicana e referência em literatura feminina do país, Paulina Chiziane. O livro fala sobre as questões de Delfina como mulher negra e sua liberdade, sempre sufocada. “O leitor pode ter uma reflexão profunda sobre a questão racial a partir da perspectiva da mulher africana, produzida por uma autora pioneira e em seu país e, por sorte, no idioma original, o português de Moçambique”, diz o editor da Dublinense, Gustavo Faraon. A editora apresenta também “Ética e Pós-Verdade”, escrito por grandes nomes: Christian Dunker, Cristovão Tezza, Julián Fuks, Marcia Tiburi e Vladimir Safatle. “Quem busca uma visão crítica e mais complexa sobre um dos termos do momento, “pós-verdade”, vai encontrar abordagens distintas, a partir da psicanálise, literatura, filosofia e política, pensadas por grandes intelectuais brasileiros”, comenta Faraon.

“O alegre canto da perdiz”, de Paulina Chiziane.

Já a Solaris traz para o público obras com ilustrações raras sobre aspectos históricos do Brasil. A série Lembranças, que tem entre seus títulos “Lembranças do Brasil: As Capitais Brasileiras” e “Lembranças de São Paulo: O Litoral Paulista”, apresenta uma iconografia de cartões postais que datam entre 1895 e 1960, muitos deles pertencentes a colecionadores e estudiosos. Cada livro tem cerca de 500 ilustrações temáticas e que podem interessar a públicos de diversas faixas etárias. “A intenção é perpetuar valiosos acervos que de outro jeito não estariam disponíveis ao público, quase como um museu de papel, já que muitas das imagens correspondem a peças raras, únicas. O Brasil possui uma história muito rica, com acervos que conservam boa parte dela, e é necessário produzir obras que a perpetuem e sirvam de fonte de consulta permanente”, diz o editor da Solaris, Carlos Cornejo.

“Lembranças do Brasil: As Capitais Brasileiras”, de João Emilio Gerodetti e Carlos Cornejo.

A biografia de um dos maiores representantes da antropologia, “Lévi-Strauss”, é lançada pelas Edições Sesc. A obra, da historiadora francesa Emmanuelle Loyer, traz documentos inéditos do antropólogo e perpassa por toda sua vida, desde a infância até seu falecimento, em 2009. Com base em depoimentos, documentos reunidos no Brasil, Estados Unidos e Europa, e nas fichas do acervo pessoal do antropólogo, a autora traça a trajetória de Strauss e a formação de seu pensamento. Pinturas, bronzes e tecidos são alguns dos exemplos do que se encontra no título “China: Uma História em Objetos”, da inglesa Jessica Harrisson-Hall. O livro percorre os mais de 7 mil anos de história chinesa a partir de artefatos como roupas, joias e mobiliário, desde o período Neolítico até hoje. “Nosso catálogo se pauta pelas áreas referentes à cultura num sentido amplo, da filosofia ao teatro; da arquitetura à questão indígena; da sociologia às artes visuais entre outras. Em tempos tão sombrios para a cultura de maneira geral e, não por acaso, em particular para o mercado editorial, expor nossas publicações nesta feira é mesmo motivo de festa”, comenta a editora das Edições Sesc, Isabel Alexandre.

“Lévi-Strauss”, de Emmanuelle Loyer.

E não poderia faltar a Edusp, idealizadora da Festa do Livro. Completando a série “História da América Latina”, organizada por Leslie Bethell, o volume X, “A América Latina após 1930: Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil”, discute a experiência histórica de cinco séculos da América Latina. Os leitores que, além de história, se interessam por literatura russa, vão poder ver a influência dela no Brasil na obra “Dostoiévski na Rua do Ouvidor: A Literatura Russa e o Estado Novo”, em que Bruno Barretto Gomide faz uma análise da circulação dos autores russos no País e quais suas influências nas decisões políticas e nos ritmos da história e da cultura durante a Era Vargas. O autor fala também sobre o que era ler tais literaturas em um período autoritário.

“Dostoiévski na Rua do Ouvidor: A Literatura Russa e o Estado Novo”, de Bruno Barretto Gomide.

“São obras importantes em suas áreas de conhecimento e mostram a diversidade da nossa produção editorial, como o volume final de uma das coleções mais relevantes da editora, e a análise da recepção de um dos maiores escritores do século XIX no Brasil”, diz a diretora editorial da Edusp, Cristiane Silvestrin. O que mais será que você vai descobrir de fantástico nesta Festa?

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